Campanha jejum da não-violência PDF Imprimir E-mail
 Este ano de 2008 traz duas comemorações significativas de 60 anos. Em janeiro, os 60 anos da morte de Gandhi e, em dezembro, o aniversário da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Estes dois aniversários nos mobilizam como seres humanos, como cristãos e como monges. Afinal, eles sinalizam dois caminhos fundamentais para a humanidade: a via da não-violência e a via dos direitos humanos. Caminhos pelos quais a humanidade poderá se encontrar consigo mesma e, encontrando na sua plena humanidade, encontrar-se com o próprio Deus.

Neste 30 de janeiro de 2008, nossa comunidade deseja fazer a memória dos sessentas anos da morte de Gandhi através de um instrumento que lhe era muito próprio: o jejum. O Mahatma empreendeu sete grandes jejuns em sua vida: respectivamente em 1919, 1924, 1932, 1933, 1939, 1943 e, finalmente, em janeiro de 1948. Para Gandhi, o jejum não era um meio de coerção ou de pressão para outros, mas uma forma de purificar a sua própria personalidade, assumindo o satyagraha (a firmeza permanente, a não-violência ativa), concentrando a mente em objetivos mais altos do que a ingestão de comida. Ele mesmo assim descrevia: "Num jejum não pode haver lugar para o egoísmo, a raiva, a falta de fé ou a impaciência... São necessárias paciência infinita, determinação firme, sinceridade de propósitos, calma perfeita e nenhuma ira". 

Propomos este jejum no dia 30 de janeiro como uma oportunidade para aprofundarmos mais o caminho da não-violência como perspectiva de mudança pessoal e mudança social. Este fascinante e desafiador mundo da não-violência - única possibilidade de superação da violência - ainda é pouco conhecido para muitos de nós.  Já ouvimos falar aqui e ali, mas talvez ainda faltam aprofundar as conseqüências dele em nossas vidas diárias, em nossos cotidianos, em nossas relações: "seja você a mudança que desejas para o mundo", gostava de repetir o Mahatma. Mas também importa descobrir a não-violência como caminho de mudança social. Pouco a pouco, vamos nos dando conta de que a violência não é a parteira da história e de que a não-violência não significa passividade, mas resistência e transformação ativa, como nos demonstraram os monges budistas da Birmânia em setembro passado. E cada um de nós faz esta experiência pessoal, comunitária e social que a lógica e a metodologia da não-violência, precisa ser mais conhecida, apreendida e praticada. 

Assim, estamos convidando vocês a se juntarem a nós, na quarta-feira 30 de janeiro, por um jejum de 12 horas, das 7h às 19h, O jejum pode ser feito individualmente, mas será muito significativo se for organizado em comunidade e em lugares de movimento de massa, como praças, ruas, etc. Vigílias, orações, celebrações, filmes, reflexões sobre a contribuição de Gandhi e sobre a não-violência, são sugestões de atividades que podem enriquecer este dia.

Esta celebração também nos inspira a intenção mensal de oração pela paz (enviada em anexo): para que a não-violência seja mais conhecida e praticada, por pessoas, grupos e nações.

Fiquemos com a palavra de Gandhi: "Coisas que jamais foram sonhadas estão sendo vistas diariamente, o impossível está a todo o instante se tornando possível. Ficamos constantemente impressionados com as descobertas espantosas no campo da violência. Mas afirmo que descobertas ainda mais espetaculares e aparentemente impossíveis serão feitas no campo da não-violência".

Com carinho, o irmão de vocês,
 
Marcelo Irineu Guimarães
 
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