Educação Ambiental e a construção da Paz PDF Imprimir E-mail

Para encontrar soluções efetivas para as diversas interpelações que a crise ambiental nos apresenta não é mais possível dar respostas velhas às novas questões. Um único conhecimento não pode abarcar a dimensão da crise em que vivemos. Faz-se necessário olhares conjuntos, de diversas ciências. Há uma interação e interdependência de seres, de acontecimentos. Nossa visão não pode mais ser compartimentada, dividida em partes, sem noção do todo. Uma compreensão holística e sistêmica da vida poderá transformar a realidade científica e interligar todos o seres em novas comunidades vivenciais regidos por sentimentos e valores como solidariedade e paz.

Em seu livro A canção das sete cores Brandão, nos sugere alguns pontos de convergência e relacionamento entre Educação Ambiental e construção da Paz.

  • A Educação Ambiental tem vocação emancipatória e voltada à causa da Paz  e situa-se muito além da simples transmissão de conhecimento, mas tem função social no sentido de realizar desejos e aspirações humanas;
  • A escolha da Educação Ambiental como projeto para a formação humana centra-se em novos valores e idéias e em uma nova relação entre os seres humanos e destes com os demais seres viventes e com o seu meio;
  • A Educação Ambiental emancipatória e dirigida à causa da Paz considera que os princípios de domínio e exploração na relação ser humano versus natureza devem ser radicalmente mudados, na sua base, permitindo que a vida humana seja regida por valores e princípios éticos como a cooperação, solidariedade e a partilha, “em busca da pacificação das relações entre os seres humanos e entre a humanidade e os outros seres da Vida”; (BRANDÃO, Carlos Rodrigues, 2005, p.84)
  • Na construção de novas comunidades e de novos relacionamentos a Educação Ambiental faz renascer novas espiritualidades, filosofias e projetos humanistas de vida, os quais abrem espaços para a partilha, a co-responsabilidade e a participação crítica entre os diversos atores na criação de mundos sociais embasados em uma nova Ética de relacionamento, onde o individualismo, o egoísmo e a competição não sejam valorizados.
  • A Educação Ambiental com vocação emancipatória e pacifista reintegra valores e conhecimentos excluídos pela ciência e valoriza afetos, sensibilidades, o ser e as emoções valorizando-os da mesma maneira que são valorizadas as dimensões racionais do ser humano.
  • A Educação Ambiental com propósitos pacifistas não pode prender-se ao currículo escolar, mas deve ser um novo impulso, uma nova energia, na transformação da própria educação e consequentemente, da humanidade[1].

      A Educação Ambiental torna-se um caminho para a Paz local e planetária. Não pode escapar à sua vocação de construir novos paradigmas, embasados em novos valores e conhecimentos e de fundar novas relações sociais no presente.


[1] BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A canção das sete cores: educando para a Paz. São Paulo: Contexto, 2005, p. 84-85.

Autor: Amarildo R. Ferrari

 
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