Prostituição Escolar? PDF Imprimir E-mail

Sabemos todos que a educação é muito pouco valorizada em nosso país, lamentavelmente, apesar dos esforços hercúleos dos educadores ao longo de décadas e, porque não dizer séculos! Entretanto jamais se teve notícia de uma tentativa de prostituirmos nossos alunos como agora!

Porque falo em prostituição?

Bem, teria outro nome a tentativa, que parece estar ganhando terreno, do governo federal ao apresentar proposta de premiação de pagamento anual de R$ 240,00 a alunos da rede pública, de quinta a oitava séries, que passarem de ano letivo?

Ao ler o edital do Correio do Povo do dia 21 de maio deste ano ficamos atônitos, chocados. Em que mundo estamos que pode parecer correto se pagar pela aprendizagem de crianças quando isto deveria ser algo natural e lógico?

A recompensa pela aprendizagem é a própria aprendizagem!

      Somos seres biologicamente humanos e nos constituímos sujeito pela capacidade de aprendizagem e de desejo. É impossível não aprender. Mesmo que não queiramos aprender, aprendemos. Somos seres aprendentes por natureza psicossociocultural.

Que diriam nossos grandes pensadores, filósofos, cientistas e pesquisadores se pudessem se manifestar a respeito do tema? Como Piaget, Vygotsky, Freud, Pichon-Rivière, Freinet, Edgar Morin, Delleuze reagiriam diante desta proposta indecente?

Nós, educadores para a paz, pensamos que a educação é o único meio do qual dispomos para constituir  o homem e, consequentemente, mantê-lo enquanto espécie.

Podemos educar seres humanos íntegros, honestos, com valores  universais bem trabalhados como paz, amor, solidariedade, responsabilidade, honestidade ou podemos educar seres humanos esvaziados, corruptíveis, deformados em sua constituição moral e ética.

Para tanto urge que estabeleçamos os princípios sobre os quais a educação estará fundamentada e justificada.

Se quisermos a paz, precisamos educar para a paz!
Se quisermos a segurança, precisamos educar para a não violência!
Se quisermos a cooperação, precisamos educar para a solidariedade e comprometimento!
Se quisermos a ética, precisamos educar para a responsabilidade individual e coletiva.
Se quisermos a sustentabilidade planetária, precisamos educar para a participação e democracia ativa!
Se quisermos a família como célula matriz de uma sociedade lúcida precisamos educar para o respeito á diversidade!

Mas, se quisermos a corrupção, a falta de vergonha, a ausência de responsabilização, a anarquia generalizada, bem então quem sabe devamos pagar pela aprovação escolar!

Nós, educadores para a paz REPUDIAMOS esta proposta indecorosa do governo federal!

(Autora: Nelnie Lorenzoni – Educadora para a paz)

 
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